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02/12/2018

Vamos passear de Gabriela?

FONTE: Diário do Transporte

Ônibus são de 1980, com chassi LPO-1113 Mercedes-Benz. Foto: Adamo Bazani
Diário do Transporte realizou no último domingo uma viagem especial entre Santo André e São Paulo em dois Caio Gabriela que são estrelas de TV e do cinema
JESSICA MARQUES / ADAMO BAZANI
Como já mostrou o Diário do Transporte, o Caio Gabriela é um dos ônibus mais marcantes da história do transporte urbano brasileiro. O modelo esteve presente em praticamente todas as cidades entre meados dos anos 1970 até, por incrível que pareça, o início dos anos 2000, já que esse veículo é bastante resistente.
O Gabriela marca a memória de muitos apaixonados pelos transportes e também conta um pouco da evolução das cidades.
Neste último domingo, 25 de novembro de 2018, o Diário do Transporte fez uma viagem entre Santo André, no ABC Paulista, e a BBF (BusBrasil Fest), evento que reúne ônibus antigos e novos no Pacaembu, na Zona Oeste da capital.
A viagem não foi feita em um, mas em dois Caio Gabriela, que são verdadeiras estrelas de cinema. Por volta das 7h, a equipe já estava a postos em um desses veículos no Parque Capuava, em Santo André.
O serralheiro Rogério Soria, 44 anos, levou a equipe com seu Caio Gabriela II, 1980, chassi LPO-1113 Mercedes-Benz, para encontrar seu amigo no bairro Camilópolis, também em Santo André. O advogado Regis Carvalho possui um ônibus que traz as mesmas configurações.
A viagem, muito mais do que um passeio entre as duas cidades da Região Metropolitana, foi uma volta no tempo, contextualizada por elementos do dia a dia. No caminho, o Expresso Tiradentes exemplificou o contraste da evolução do sistema de transportes.
Ver os dois ônibus dos anos 1980 ao lado de modelos atuais da mesma marca, como o Caio Millennium BRT e o Caio Apache VIP, também permitiram ter um gosto do que seria a BBF: uma reunião de veículos do transporte coletivos, novos e clássicos, traçando uma linha do tempo cheia de memórias e sensações para que viveu nas duas épocas e imaginação para os mais jovens.
MODELOS CHEIOS DE HISTÓRIA
O Caio Gabriela de Regis Carvalho é oriundo do sistema de transportes de São Paulo. Operou com o sistema saia e blusa pela Viação Brasil Luxo, ostentando o prefixo 01 221.
“Eu o comprei do proprietário das empresas VIASA (Viação Sarri, urbana de Barretos) e Viação Guairense (urbana de Guaíra), ambas vizinhas e localizadas no norte do estado de São Paulo distantes a 450 quilômetros da capital”, contou Carvalho.
O ônibus foi usado em ambas as empresas no serviço de transporte regular de passageiros e depois no transporte escolar.
“Uma semana antes de ele ser desmontado eu o comprei pra preservar. Eu gostaria muito de fazer com que ele volte a utilizar as cores da antiga empresa paulistana. Um amigo se predispôs a fazer uma ponte junto ao proprietário da antiga Viação Brasil Luxo e conseguir autorização e para voltar a usar as cores branco e marrom e também verificar se ele pode ostentar o nome da empresa”,afirmou o proprietário do veículo.
Confira abaixo as fotos do Gabriela de Regis Carvalho:
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Desde 1980 até ir parar na frente da casa de Rogerio Soria, no Parque Capuava, em Santo André, o Caio Gabriela também percorreu uma longa trajetória.
Inicialmente, o ônibus operou na Viação Eroles, que encerrou as atividades em 2009. A informação obtida por Carvalho e Soria foi que a empresa comprou o ônibus zero quilômetro.
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Na época da Viação Eroles, a pintura era toda amarela, até o teto, e as linhas operadas eram municipais. Desta forma, o Caio Gabriela de Soria ficou por muito tempo rodando apenas em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Após rodar como o carro 383 durante quase 20 anos, a Eroles vendeu o ônibus para a Peles Polo Norte (fabricante de roupas), em 1998. Ambas as empresas ficavam localizadas em Mogi.
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Depois da Peles Polo Norte, o Caio Gabriela LPO-1113 foi para Ferraz de Vasconcelos, também na Região Metropolitana de São Paulo, para rodar como ônibus escolar.
“O pai da minha amiga fez transporte escolar com esse ônibus alguns anos em Ferraz de Vasconcelos e, posteriormente, quando ele perdeu a licitação pela idade do ônibus, ele agregou à frota para trabalho no Rodoanel. Há três anos, foi quando o ônibus parou de trabalhar”, contou Soria.
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Nas obras do Rodoanel, o ônibus foi responsável pelo transporte de funcionários de 2013 até 2015, sem perder a pintura característica de escolar.
“Esse ônibus por dentro era cheio de barro. A gente precisou fazer várias lavagens para tirar o excesso de barro. Aqueles foram os últimos anos de trabalho do ônibus. Agora só está servindo para passeio e deleite”, disse Soria.
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Assista ao vídeo da ida até a BBF e viaje com a gente nessa linha do tempo:
ESTRELAS DE CINEMA
Como se já não bastasse estar em dois Caio Gabriela que marcaram época na história do transporte público brasileiro, os dois ônibus da década de 1980 são verdadeiras estrelas da televisão e do cinema.
O Gabriela de Regis Carvalho participou do filme Nada a Perder, do Bispo Edir Macedo. No longa, o ônibus precisou ser submetido a uma colisão com um fusca.
Depois de muitas gravações para resultar em uma cena, o coração de Regis Carvalho precisou ser forte a cada batida.
“Eu ficava preocupado com a caixa de baterias e eles me diziam para ficar sossegado, que não ia acontecer nada com o ônibus”, disse.
Foi dito e feito. O resultado da batida está no veículo até hoje: apenas um risco. A marca na lataria demonstra a resistência da carroceria de um Caio Gabriela 1980.
A cor que o Caio Gabriela traz hoje na carroceria é a última que foi feita para o filme.
Confira os vídeos da gravação:
Veja a cena final:
O Gabriela de Rogerio Soria também participou das gravações do filme, mas acabou não aparecendo na cena final.
Após a participação no longa, que foi gravado no Rio de Janeiro, o Caio Gabriela de Soria também recebeu nova pintura e hoje permanece com as características que foram exibidas no longa-metragem.
Por esse motivo, o veículo tem a identificação do Rio de Janeiro na carroceria, mesmo sem ter rodado no transporte público do estado. Os dizeres são da antiga CTC – RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Estado do Rio de Janeiro).
O ônibus também apareceu em uma propaganda da NET, bem no fim do vídeo. Posteriormente, foi indicado para a filmagem em um comercial da Vivo, com Gabriel Jesus.
Confira o comercial da NET com participação do Caio Gabriela:
Veja o vídeo gravado para o período da Copa do Mundo, neste ano:
“Foram feitas cinco filmagens e em cada semana que o Brasil fosse passando na classificação da Copa do Mundo, ia rodar um trecho em que o ônibus aparece. Foram três passagens, porque o Brasil foi eliminado na terceira rodada”, contou Soria.
Atualmente, os dois ônibus estão disponíveis para fazerem participações nas telas, trazendo toda a história que pode ser contada por meio de memórias, despertadas por um ronco de motor, um estofado de banco e a imponente presença de um Caio Gabriela.
Jessica Marques para o Diário do Transporte
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Empresas de ônibus dizem que já perderam 5% dos passageiros para aplicativos

Mais uma vez, as novas modalidades que permitem o transporte de mais de um passageiro por aplicativos como Uber e 99 mostraram interferir diretamente no transporte público.

A NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), entidade que reúne mais de 500 viações, informou que as empresas de ônibus já perderam 5% dos passageiros para aplicativos como Uber e 99 em algumas cidades do Brasil.

A associação escreveu uma carta aberta aos prefeitos de todo o País solicitando que protejam o transporte coletivo da “concorrência desleal” criada por modalidades de transporte por aplicativo para mais de uma pessoa, como o Uber Juntos e o Pool +, da 99.

O assunto esteve presente na pauta da 74ª Reunião Geral da FNP (Frente Nacional de Prefeitos), que ocorreu em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.

Segundo o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, o setor de transporte público é fortemente regulado e as novas modalidades de transporte por aplicativo são uma concorrência “predatória”.

Na visão do presidente, permitir as modalidades Uber Juntos e Pool + seria o mesmo que decretar o fim do setor de transporte coletivo, que já acumula perda de 25% dos passageiros de 2014 a 2017.

“O Uber Juntos e a outra modalidade lançada pela 99 em Belo Horizonte são serviços que se travestem de transporte público e não são mais transportes individuais de pessoas. Em uma mesma viagem, ele opera em determinado percurso e vai angariando passageiros ao longo do trajeto”, disse Cunha em entrevista ao Diário do Transporte.

Por meio da carta, a NTU solicita que os prefeitos fiquei atentos no momento da regulamentação da lei 13.640/2018, que permitiu no Brasil o funcionamento do transporte privado de passageiros por aplicativos.

Segundo Cunha, não se pode deixar que esse tipo de transporte, por aplicativo, opere como um serviço coletivo, por estar sendo regido por normas de livre comércio.

“A carta é um alerta do que pode vir a acontecer. O transporte alternativo por vans e kombis quase acabou com o transporte coletivo nos anos 1990. O Uber Juntos vai agir predatoriamente contra o transporte público da mesma forma”, disse Cunha.

Segundo o presidente executivo da NTU, há o risco de o serviço público que está sendo ofertado ter a qualidade piorada e ainda ser reduzido por conta da concorrência com as novas modalidades de transporte por aplicativo.

“Isso vai afetar aquelas pessoas que moram longe e sempre estão cativas do transporte público”, disse. “O Uber Juntos não é um transporte individual de pessoas, é um transporte coletivo e não deve subsistir nessas condições em que está operando. Ele só opera quando tem demanda e vai retirar os passageiros do transporte público, desequilibrando a rede de transporte”, avaliou.


“Não somos contra o transporte por aplicativo individual. Ele ofertado como é o táxi, obedece a regras de mercado de livre iniciativa. Agora o transporte por aplicativo, chamado de compartilhado ou Juntos, pode atrapalhar o transporte público”, completou.

Cunha explicou que as linhas de ônibus mais longas, que chegam a bairros periféricos, dependem financeiramente dos itinerários mais curtos que operam na região central. O presidente afirmou ainda que, para haver equilíbrio, o sistema de transporte público precisa de linhas rentáveis mais curtas, com mais passageiros.

Desta forma, segundo Cunha, é possível manter os trajetos mais longos, que são deficitários de passageiros, mas são socialmente necessários que o transporte coletivo possa atender a todos.

Entretanto, o Uber Juntos e o Pool +, quando operam nos grandes centros em trajetos curtos, retiram do transporte coletivo os passageiros que são essenciais para financiar todo o sistema.

Confira a carta aberta aos prefeitos, feita pela NTU:




OUTRO LADO

A Uber negou, em nota, que as modalidades de compartilhamento das corridas configurem transporte coletivo. Confira, na íntegra, o comunicado emitido pela Uber:

“O Uber Juntos é uma evolução da modalidade Uber Pool, que opera na cidade de São Paulo desde 2016, e representa mais uma opção de mobilidade compartilhada com uso da tecnologia. Dessa forma, o Uber Juntos não é uma modalidade de transporte coletivo, mas um sistema que combina viagens individuais com trajetos convergentes para compartilhar o mesmo veículo, aumentando a eficiência do modelo.

Criado para colocar mais pessoas em menos carros, o Uber Juntos contribui para reduzir o impacto dos congestionamentos, oferecendo preços mais acessíveis para os usuários ao mesmo tempo em que mantém os ganhos dos motoristas parceiros. A tecnologia da Uber conecta usuários que têm percursos individuais parecidos, driblando o trânsito ao pedir que os usuários caminhem alguns minutos para encontrar o motorista.

Ao tornar o uso do automóvel mais eficiente, a Uber acredita que o Uber Juntos complementa o transporte público, ampliando o acesso dos usuários à rede pública principalmente na região central – exatamente onde existe maior necessidade de diminuir o fluxo de carros.

Além disso, as modalidades de viagem compartilhada são incentivadas e expressamente autorizadas nas regulações municipais dos aplicativos, como as da cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo.”

Diário do Transporte

15/10/2018

BYD prevê 100 ônibus elétricos no Brasil até o início de 2019

Ônibus da BYD para a Viação Piracicabana no DF. Grupo Comporte considera comprar mais veículos, segundo executivo de fabricante. Foto: Douglas de Souza Melo/Marcopolo
Há negociações para a capital paulista. Diretor da empresa chinesa no Brasil, Adalberto Maluf, também fala sobre estimativas de vendas de caminhões, vans e carros movidos à eletricidade. Aluguel de veículos também está entre os negócios
ADAMO BAZANI
A empresa chinesa BYD, que tem planta em Campinas, no interior paulista, projeta que entre o final de 2018 e início de 2019 estejam em circulação em torno de 100 ônibus elétricos da marca em diferentes cidades brasileiras.
A informação, com exclusividade ao Diário do Transporte, é do diretor de marketing, sustentabilidade e negócios da empresa, Adalberto Maluf.
O executivo contou que a primeira frota com operações comerciais foi na cidade de Campinas. Gradativamente, empresas de ônibus de outras cidades começaram a comprar mais unidades, a maior parte em pequenos lotes, e, atualmente, são em torno de 30 coletivos elétricos circulando em locais como Santos, Brasília, Volta Redonda e, mais recentemente, Uberlândia.
O número de até 100 ônibus agora deve ser alcançado também com as vendas de lotes maiores. Há, inclusive,negociações para a capital paulista, segundo Adalberto Maluf.
“Tem grandes processos em andamento em São Paulo e outra grande cidade que, juntas, vão somar 50 ônibus. Vamos começar as primeiras entregas ainda neste ano para concluir os pedidos até o começo do ano que vem.” – revelou.
A cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, pretende criar um BRT com 40 ônibus elétricos e a BYD também está atenta a esta possibilidade de vendas.
Adalberto Maluf também destacou as vendas de caminhões elétricos de coleta de lixo, que devem chegar a 200 unidades nos próximos anos.
“O mercado de caminhões de lixo chegou a 20 [unidades] agora, vai chegar a 200 unidades nos próximos anos; 20 neste ano, 21 no ano que vem, e assim gradativamente até chegar a 200. A gente já teve licitações para o Rio de Janeiro e para o interior de São Paulo”
Sobre vans elétricas de entregas urbanas, Adalberto Maluf, disse que já estão em circulação 35 unidades e mais veículos serão entregues.
“Nós já temos 35 vans elétricas em circulação, com ‘players’ já para empresas como DHL, Schneider, CarbonoZero, Nestlé, EcoRodovias”
Os carros elétricos também têm ganhado mais destaque para a BYD que, segundo Adalberto Maluf, passou a atuar no segmento de aluguel dos veículos.
“Temos carros para empresas, começamos agora uma política de aluguel e venda para a iniciativa privada. Já foram feitos negócios com Algar, Makro, Enel [que recentemente comprou a Eletropaulo]… são processos, a gente está ajudando a abrir mercados, os primeiros projetos pilotos. No dia que o governo se conscientizar e tirar a barreira de impostos, eu tenho a certeza que o mercado vai crescer”
MUNICÍPIOS, OS PONTOS DE PARTIDA PARA OS ÔNIBUS ELÉTRICOS:
Quanto ao crescimento de frota de ônibus elétricos, Adalberto Maluf destaca a iniciativa de prefeitos, uma boa parte, jovens, e que têm uma ‘agenda ambiental’. Segundo o diretor da BYD, estes prefeitos tomam iniciativas, têm as ideias, e envolvem os empresários nas compras, mesmo de pequenos lotes experimentais.
“Vejo que a mudança tem começado mais pelas cidades que pelo Governo Federal em si. Temos uma geração de prefeitos que quer inovar, proporcionar novas realidades. E o que o empresário quer acima de lucro? Continuar na concessão dos serviços. Sabendo que em próximas licitações, as prefeituras podem exigir reduções de emissões, estes empresários acabam comprando poucas unidades para ganhar experiência e conhecerem o produto para estarem aptos para as licitações, saberem dos custos, da operação. Tivemos casos de empresários que compraram ônibus elétricos para operar em uma cidade que passará a exigir reduções de poluição, gostaram dos veículos e consideram agora comprar para outras cidades onde atuam, mesmo sem exigência das prefeituras” – finaliza.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Fonte: Diário do Transporte